A cidade de São Luís de Montes Belos se consolida a passos largos como “cidade universitária”, um título preconizado pela ex-prefeita Marisa Guimarães durante sua primeira gestão, de 1997 a 2000.
Vivi em carne e osso, as dificuldades para alcançar um título universitário na década de 70, quando, morando e trabalhando em São Luís, me deslocava todos os dias úteis até Goiânia, Deus sabe como, para freqüentar a faculdade de arquitetura e urbanismo da PUC-Pontifícia Universidade Católica de Goiás.
Ao assumir o mandato de prefeito em 1983, não me esqueci daqueles difíceis anos, cuidei logo e inseri no meu plano de governo o projeto de implantação do primeiro curso superior em São Luís, seria uma maneira de oportunizar à juventude da cidade e região, a permanência em seus locais de origem.
Ombreei-me com outras forças que também sonhavam com esse projeto, dentre elas a pessoa do professor Aparecido José dos Santos e o bispo diocesano da época, Dom Stanislaw Van Mellis.
Reuniões, discussões, projetos, até que me surgiu uma idéia: “a decisão é política”, depende do aval do governador Iris Resende, com o qual tínhamos ótimas parcerias.
Minutamos a quatro mãos o documento na noite de 30 de maio de 1985, já que na manhã seguinte o governador estaria na cidade, participando de mais uma abertura oficial da exposição agropecuária.
Ilustres pessoas assinaram o documento, cuja primeira assinatura foi a minha. Coube a mim, cuidar da mobilização popular e criar o cenário ideal para apresentar o pedido.
Não deu outra, sob os aplausos da multidão no antigo parque de exposição Oscar Moreira, o governo autorizou a implantação da nossa faculdade. Era a certidão de nascimento que precisávamos.
Sabíamos que não bastava isso, um longo caminho teria que ser percorrido para vencermos os trâmites burocráticos, daí, alguns meses depois, em 08 de outubro de 1987, havermos assinado em palácio, um convênio com a UFG-Universidade Federal de Goiás que viabilizou a implantação do nosso primeiro curso superior, o de Licenciatura em matemática e física.
Como eu fiquei sem mandato durante os anos de 1989 e 1990, o processo sofreu paralisação; e a partir de 1991 foi retomado, apesar de forte oposição local, que nos bastidores patrocinaram até o sumiço do mesmo, tendo nós, com o apoio de abnegadas educadoras como as professoras, Irene Moura, Sônia Landó, Luiza de Paula Correia e outras, montado outro processo, partindo quase que da estaca zero. Um dado interessante é que a pessoa que se incumbiu de dar sumiço no processo, se vangloriava do feito no dia da apuração das eleições municipais de 1992 na porta do Ginásio de Esportes José Netto, tudo porque a candidata derrotada no pleito à época era a minha esposa (Marisa Guimarães).
Ao assumir o mandato de Deputado Estadual, coloquei o projeto de viabilização oficial da FECILBELOS – Faculdade de Educação Ciências e Letras, como prioridade, e com todo o apoio da então Secretária Estadual de Educação Estadual, professora Terezinha Vieira, a nossa faculdade foi registrada, implantada e consolidada em 1993, sendo hoje importante unidade da UEG e havendo aberto caminhos para o projeto maior da “cidade universitária”.
Hoje, frequento a FMB – Faculdade Montes Belos, como aluno do curso de direito, embora com idade desigual em relação à maioria, assisto o vai e vem de centenas de alunos de dezenas de municípios, inclusive de São Luís. Parecem satisfeitos com a realidade da oportunidade de fazerem um curso superior próximo às suas casas, e é provável que nenhum deles até o momento tenha parado pra pensar como foi o início de tudo, mas eu sei, e intimamente sinto um certo conforto por ter contribuído para esse fenomenal projeto, embora a unidade da UEG nunca tenha se lembrado de mim para nada. Já dizia Ulisses Guimarães: “A hora do benefício é a véspera da ingratidão!”


