
São muito antigos os registos do fabrico de pão, sem dúvida, um dos primeiros alimentos processados pelo Homem. Consta que foi nas pequenas aldeias palafitas, na região actualmente ocupada pela Suíça, que surgiu pela primeira vez esta mistura de grãos de cereal moídos (farinha) com água e sal, em 10.000 aC. Mais tarde, cerca de 5.000 aC., com a descoberta dos fermentos, o pão aproximou-se mais daquilo que comemos actualmente. 4000 anos antes de Cristo, os egípcios vulgarizaram a produção de pão e 500 anos antes de Cristo, surgia em Roma a primeira escola de padaria. O pão foi sustento de civilizações inteiras e o seu fabrico manteve-se quase inalterado até ao século XIX, altura em que foi pela primeira vez introduzida a mecanização dos processos de fabrico. Inicialmente rejeitado pelos consumidores, este pão «industrial» veio fazer com que as padarias dessem lugar a panificadoras com grande capacidade de produção, baixando ainda mais o preço deste alimento essencial. Mais tarde, foi a vez dos próprios padeiros se revoltarem contra as máquinas pela ameaça que estas representavam aos seus postos de trabalho.
Hoje em dia existe no mercado um sem número de variedades de pão: artesanal ou industrial, com farinha refinada ou integral, estaladiço ou fofinho, com um ou mais cereais, redondo ou achatado, com frutos secos ou carnes fumadas. O pão continua a ser a base alimentar para muitos milhões de pessoas em todo o planeta.
No entanto, o pão é muitas vezes acusado de fazer engordar (à semelhança de todos os alimentos com hidratos de carbono) motivo pelo qual é retirado dos hábitos alimentares de pessoas que pretendem controlar o peso. Do ponto de vista nutricional, o pão pertence ao grupo dos cereais e deve ser consumido com regularidade, embora em quantidades moderadas. Sabia que em termos nutricionais um pãozinho de mistura (40g) corresponde a cerca de 5 ou 6 colheres de sopa de cereais integrais (25g)? E apesar disso, o pão é geralmente visto com um alimento a evitar enquanto, pelo contrário, os cereais integrais são considerados benéficos para quem quer perder peso! Por exemplo, um pequeno pão de mistura ao pequeno almoço e outro ao lanche da tarde podem fazer parte de uma alimentação equilibrada. Mas estes mesmos dois pães, se acompanharem o almoço e jantar (com arroz, massa ou batata), podem contribuir para o aumento de peso.
Para além de uma boa fonte de energia, o pão acrescenta também alguns minerais (sódio e potássio) e fibras. Estes valores dependem do tipo de cereais utilizados e se são refinados ou não. Algumas receitas de pão incluem adição de gordura, açúcares ou proteínas, para lhe dar sabor ou consistência, ou para aumentar o seu tempo de conservação. Estas diferenças reflectem-se nos valores calóricos, que podem ir das 195 calorias por 100g de pão de centeio integral às 260 calorias por 100g de pão branco.
Vimos então que o pão pode e deve fazer parte dos nossos hábitos alimentares, quando usado correctamente. Escolha o pão que escolher, aprenda a doseá-lo e tenha também atenção àquilo que geralmente o acompanha: manteiga, queijos ou enchidos. Afinal, quem é que consegue resistir a um pãozinho quente, acabado de sair do forno?!
Fonte: www.ateliernutricao.blogspot.com