
Introdução
É preciso investir na busca de uma melhor qualidade de vida através de exercícios físicos, uma alimentação equilibrada e bom relacionamento familiar como forma de atenuar os grandes causadores de mortalidade nesta faixa etária, como as doenças infecciosas, doenças do coração, câncer e diabetes, para se ter uma velhice saudável.
A vida pode ser um desafio para os idosos, geralmente inativos, que sofrem de doenças crônicas. Hoje o exercício físico é considerado um tratamento de prevenção, principalmente para doenças do coração e diabetes, melhorando a expectativa de vida. "A prática de exercícios físicos de uma maneira geral, contribui para a manutenção das capacidades funcionais, como andar ou agachar, por exemplo, e ajuda a diminuir os riscos causados por uma vida sedentária, homens e mulheres de meia-idade que praticam exercícios regularmente correm menos risco de virem a sofrer de limitações físicas na velhice (SAMPAIO, 2005)". Conforme (BARBOSA, 2001; ROCHA, 1994; BONACHELA, 1994; PIRES et al., 2002; POWERS & HOWLEY, 2000), a prática de uma atividade física, bem como da hidroginástica, que torna o idoso mais apto e mais saudável, proporcionará uma melhora na qualidade de vida para esta faixa etária, devido aos vários benefícios que ela oferece.
NOVAES (2001), afirma que as atividades mais recomendadas por médicos para essa faixa etária são exercícios na água: a hidroginástica e a natação. A hidroginástica é o exercício ideal para as pessoas que possuem problemas ósseos, como osteoporose e artrose.
BONACHELA (1994), como motivos para a prática da hidroginástica aos idosos, o emagrecimento geral, fortalecimento e resistência muscular, condicionamento físico geral, melhora da flexibilidade, melhora do equilíbrio e da coordenação, diminuição do estresse e contribuição para a reabilitação física.
Em termos gerais os exercícios melhoram o humor devido à liberação do hormônio endorfina que causa sensação de bem estar e relaxamento, ainda reduzem a ansiedade e o estresse, aumentam a funcionalidade do sistema imunológico acarretando benefícios cardiovasculares e facilitam o controle da obesidade. Além disso, qualquer forma de exercício físico proporciona benefícios psicológicos, de auto-estima e de melhoria do relacionamento social, ou seja, melhora os aspectos biopsicosociais muito importantes para pessoas da terceira idade, devido às inúmeras mudanças advindas dessa fase da vida. Em geral as pessoas que praticam atividades físicas tendem a ser menos deprimidas do que as que não praticam. Pesquisas comprovam que para formas mais moderadas de depressão, o exercício físico pode ser tão útil quanto à psicoterapia.
Pesquisas comprovam a tese de que pacientes depressivos moderados tiveram sucesso no tratamento utilizando exercícios mais terapia. O contato com exercício físico na terceira idade começa geralmente por indicação médica. O fato é que as pessoas acabam encontrando nos exercícios muito mais que alívios para suas dores. Fazem novas amizades e têm momentos de descontração. Infelizmente, ainda há muita resistência para dedicar um tempo para refletir sobre suas vidas. É pouco desenvolvido no Brasil o hábito de realizar atividade física ainda quando se é jovem. O que ocorre é que as pessoas chegam na terceira idade com diversas patologias resultantes do sedentarismo, o que as leva a procurar exercícios físicos.
Idosos sedentários possuem menor mobilidade e maior propensão a quedas quando comparados a idosos que praticam atividades físicas regularmente (SAMPAIO, 2005). Nessa faixa etária há uma diminuição da resposta emocional (erosão afetiva), acarretando um predomínio de sintomas como diminuição do sono, perda de prazer nas atividades habituais e perda de energia (BARBOSA, 2001).
O crescimento da população de idosos, em números absolutos e relativos, é um fenômeno mundial. Em 1950 eram cerca de 204 milhões de idosos no mundo e, já em 1988, quase quatro décadas depois, este contingente alcançava 579 milhões de pessoas - um crescimento de quase 10 milhões de idosos por ano.
Segundo o IBGE, as projeções indicam que, em 2050, a população idosa será de 1,9 bilhões de pessoas - montante equivalente à população infantil de zero a 14 anos de idade, ou um quinto da população mundial (BARBOSA, 2001). Neste estudo o Núcleo de Atendimento a Terceira Idade (NATI) incluiu, a partir de 1998, a hidroginástica como mais uma das opções para os participantes desse projeto de melhoria da qualidade de vida da UFPEL.
No início do projeto toda a expectativa era de que as pessoas procurariam participar na busca de efeitos biológicos para saúde. Entretanto, aos poucos, através da observação de depoimentos esporádicos, começou-se a perceber que, para um número significativo de participantes esta busca se prendia a motivos mais ligados a fatores sociais, emocionais e ocupacionais do que biológicos propriamente ditos. A partir dessa percepção surgiu então a preocupação de talvez não se estar atendendo, na plenitude, as necessidades e os interesses dessas pessoas, pela falta de dados concretos que identifiquem os reais interesses dos sujeitos, alvos desse projeto. Por isso nosso estudo tem como objetivo identificar quais os motivos que levam pessoas idosas a praticarem hidroginástica no projeto Atividade Física para a Terceira Idade da ESEF/UFPEL, e o efeito dessa prática no cotidiano das mesmas.
Como forma de atender aos anseios mais significativos das mesmas, e contribuir para uma melhor qualidade de vida.
A amostra foi constituída aleatoriamente de sessenta idosas com faixa etária média de 67,08 anos, participantes do projeto Atividades Físicas para a Terceira Idade da ESEF/UFPEL.
Foi utilizada uma entrevista semi-estruturada individualmente no próprio local da hidroginástica, numa sala ao lado da piscina.
Após a aplicação da entrevista foi realizada à análise dos dados através de estatística descritiva para determinar o percentual de respostas obtidas.